Considerado o berço da boemia em Salvador, o bairro do Rio Vermelho ganhou uma nova orla após obra de requalificação urbanista.

Considerado o berço da boemia em Salvador, o bairro do Rio Vermelho ganhou uma nova orla após a requalificação iniciada pela Prefeitura há sete meses. Hoje, o bairro está mais preparado tanto para receber moradores quanto visitantes, com infraestrutura mais moderna, segura e bela, levando em conta uma proposta de urbanismo que ressalta as características locais, ordenamento, novas áreas de lazer e paisagismo, equipamentos esportivos e ciclovia e monumentos reformados. A requalificação da orla do Rio Vermelho compreendeu o trecho entre a Paciência e o Largo da Mariquita, abrangendo ainda o Largo de Santana e a Rua João Gomes, num investimento de R$54 milhões.

A festa de inauguração começou na Paciência, de onde o prefeito ACM Neto, acompanhado da vice-prefeita Célia Sacramento, de secretários, dirigentes de órgãos, parlamentares, familiares e moradores do Rio Vermelho, caminhou até o Largo da Mariquita, palco dos shows que já começaram em homenagem ao bairro. A parte musical tem como estrelas as cantoras Márcia Castro, Amanda Santiago e Mametto.

"Agradeço a todos que confiaram em mim, que dei a palavra de que essa obra seria feita. Restago hoje mais um compromisso. É assim que faço política. Tivemos coragem de fazer essa obra que muito mais do que sua beleza fala com sentimento. A gente sente que aqui está a alma de quem vive e constrói o dia a dia do Rio Vermelho", discursou o prefeito. "Comrpomisso, coragem e amor são as palavras que traduzem este momento", acrescentou, em discurso feito na Mariquita.

O prefeito criticou aqueles que se colocaram contra as obras, cujo projeto foi elaborado com a colaboração e participação ativa de moradores, comerciantes e entidades que representam o Rio Vermelho. Algumas das mudanças acatadas, inclusive, foram feitas durante as intervenções, mesmo com o projeto já definido, após diálogo com uma comissão formada por moradores e comerciantes do bairro. "Tem gente que nasceu para ser do contra. Pois aqui aplicamos bem cada centavo do dinheiro público e mostramos, mais uma vez, que Salvador anda com as próprias pernas", afirmou ACM Neto.

Além do prefeito e da vice, o secretário da Casa Civil, Luiz Carreira, também discursou, ressaltando que a requalificação do Rio Vermelho é um presente antecipado a Iemajá, cujo dia será comemorado na próxima terça-feira. Ele destacou os pontos mais importantes das intervenções. Na parte menos visível das intervenções, mas que provocam um efeito tanto em termos práticos, de funcionalidade, quanto estéticos, foram substituídas as redes de abastecimento de água, de esgoto e construído um novo sistema de drenagem. Foram ainda implantadas valas subterrâneas para o enterramento das redes de energia elétrica e de telecomunicações, retirando com isso toda a fiação aérea que tanto prejudicava a paisagem urbana.

A população local também ganhou um campo de futebol que foi reconstruído na Paciência com grama sintética, protegida por alambrado, tela, tendo o entorno urbanizado com pavimentação em pedras portuguesas e paisagismo com coqueiros e outros tipos de árvores. A Paciência recebeu ainda um mirante, que já se tornou um dos cenários mais disputados para fotografias antes mesmo da inauguração, aproveitando um patamar existente da encosta para criar um espaço de contemplação e de lazer e área alternativa para uma música de fim de tarde. No mesmo local foi recuperado o monumento do Mestre Didi.

O Largo de Santana foi totalmente recuperado com uma nova pavimentação em granito, com destaque para a Igreja de Sant´Ana, que também teve a sua fachada restaurada. Em frente à igreja, o monumento em homenagem aos escritores Jorge Amado e Zélia Gattai, bem como Fadul, o cachorro do casal, foi outro equipamento cultural e de identidade do bairro requalificado. Ainda no Largo de Santana foi regularizada toda a área de mesas de bares, com a construção de patamares de forma a permitir um maior conforto para os usuários em um dos espaços mais tradicionais do Rio Vermelho. Foram construídos quiosques em eucalipto para as baianas de acarajé.

No trecho entre o Largo de Santana e o Largo da Mariquita foi implantado um espaço compartilhado com pavimento intertravado e passeios em pedra portuguesa de forma a dar destaque à área mais boêmia e cultural do Rio Vermelho. Foi implantado um palco aberto para pequenos shows (o Toca Raul), em homenagem a Raul Seixas. Foi ainda totalmente recuperada Casa de Iemanjá, com toda a estrutura para os pescadores: banheiros e armários para a guarda de material de pesca, entre outros benefícios.

Na rua Almerinda Dutra foi mantida a sua pavimentação, em paralelepípedo e passeios em pedra portuguesa. Foram totalmente urbanizadas a tradicional Praça Colombo e a área em frente ao restaurante Fogo de Chão, com pavimentação em pedra portuguesa e novo paisagismo. Dentre os trabalhos executados no Rio Vermelho destacam-se ainda a construção de novas calçadas, com larguras variando entre 2 m e 2,5 m, ciclovias e  paisagismo. As obras foram executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Defesa Civil (Sindec), a partir de projetos da empresa SQ+ Arquitetos Associados, sob a coordenação da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e da Casa Civil. As intervenções contaram com a colaboração de mais de 700 operários.